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vidros naturais fizeram com que logo alcanças- sem alto valor ao longo da história, a ponto dos egípcios os considerarem como mate- rial precioso, sendo encon- trados em adornos nas tumbas e engastados nas máscaras mortuárias de ouro dos antigos Faraós. Como ocorre com grande parte dos mate- riais ditos antigos, o início de sua fabricação é, geralmente, in- certo. Plínio, o grande naturalista romano, nascido no ano 23 de nossa era, em sua enciclopédia Naturalis historia atribui aos fenícios a obtenção dos
vidros. Segundo o relato, ao desem- barcarem nas costas da Síria há cerca de 7000 anos a.C. os fenícios improvi- saram fogões usando blocos de salitre sobre a areia. Observaram que, passa- do algum tempo de fogo vivo, escorria uma substância líquida e brilhante que se solidificava rapidamente. Admite-se que os fenícios dedicaram muito tem- po à reprodução daquele fenômeno, chegando à obtenção de materiais utilizáveis. Shelby, em seu livro Intro- duction to glass science and techno-
Vidros naturais (obsidian e tektites) podem ser formados quando alguns tipos de rochas são fundidas a elevadas temperaturas, como ocorre em erupções vulcânicas, por exemplo 14 Cadernos Temáticos de
Química Nova na Escola Edição
especial Maio 2001
Vidros logy (Introdução à ciência e tecnologia do
vidro), oferece-nos um cenário suge- rindo que a combinação de sal marinho (NaCl), e talvez ossos (CaO), presentes nos pedaços de madeira utilizados para fazer fogo sobre a areia (SiO 2 ), na beira da água salgada do mar (o Medi- terrâneo?), reduziria suficientemente o seu ponto de fusão, de tal modo que
vidro bruto, de baixa qualidade, poderia ser formado. Posteriormente, a arte vidreira teria sido difundida através do Egito e Mesopotâmia, sendo desen- volvida e consolidada em todos os continentes. E o
vidro segue seu caminho atra- vés da civilização. A ação do homem, agora, faz-se sentir. O casamento entre cerâmica e
vidro data já do Egito antigo, dado que, quando as cerâmicas eram queimadas, a presença acidental de areias ricas em cálcio e ferro, combi- nadas com carbonato de sódio, poderia ter sido o resultado das coberturas vitrificadas, observadas nas peças daquela época. São também do Egito anti- go a arte de fazer vi- dros (isentos de cerâ- mica) e a adição de compostos de cobre e cobalto para originar as tonalidades azuladas. Um desenvolvi- mento fundamental na arte de fazer objetos de
vidro deu-se por volta do ano 200 a.C. quando artesãos sírios da região da Babilônia e Sidon desenvolveram a técnica de sopragem. Através desta, um tubo de ferro de aproximadamente 100 a 150 cm de comprimento, com uma abertura de 1 cm de diâmetro, permitia ao vidreiro introduzi-lo no forno contendo a massa de
vidro fundida, e retirar uma certa quantidade que, soprada pela extremi- dade contrária, dava origem a uma peça oca. Data desta época, também, a utilização de moldes de madeira para a produção de peças de
vidro padroni- zadas. Os primeiros
vidros incolores, entretanto, só foram obtidos por volta de 100 d.C. em Alexandria, graças à intro- dução de óxido de manganês nas com- posições e de melhoramentos impor- tantes nos fornos, como a produção de altas temperaturas e o controle da atmosfera de combustão, os quais tiveram marcada influência sobre a quali- dade dos
vidros e permi- tiram uma fusão mais efi- ciente dos materiais cons- tituintes. Desde o princípio, os
vidros fabricados tiveram um caráter utilitário, per- mitindo a construção de ânforas, vasos, utensílios para decoração etc. En- tretanto, a idade do luxo do
vidro foi o período do Império Romano. A quali- dade e o refinamento da arte de trabalhar com vi- dro permitiam criar jóias e imitações perfeitas de pedras preciosas. Recorremos à Tabela 1 para continuarmos con- tanto esta história, resu- mindo alguns aspectos apresentados e avan- çando outros tais infor- mações permitem-nos fazer alguns comentá- rios adicionais sobre os vitrais. Trata-se, na reali- dade, de pequenos pe- daços de
vidro polido, de até 15 cm de diâ- metro, rejuntados com tiras de chumbo e fixa- dos nas construções formando janelas. O período de ouro desta técnica deu-se no século XV. Catedrais, igrejas, palá- cios, átrios e residências tinham janelas decoradas com vitrais. Na Figura 1 é mostrado um dos magníficos vitrais que ornamentam a Catedral de Chartres, na França. Alguns historiadores conside- ram que a expansão e difusão dos vi- trais tenha sido conseqüência direta das altas janelas utilizadas na arquitetura das catedrais góticas. Ao nos confrontarmos com a histó- ria dos
vidros, fica clara a importância dos povos que habitavam o Mediterrâ- neo e o Adriático. Neste particular, Veneza teve papel fundamental, sobre- tudo na Idade Média, por contar com um grande número de vidreiros, forte- Tabela 1: Períodos e regiões onde foram desenvolvidas importantes inovações na arte vidreira antiga. Período Região Desenvolvimento 8000 a.C. Síria(?) Primeira fabricação de
vidros pelos fenícios 7000 a.C. Egito Fabricação dos...