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atitude natural, primeva, da
atitude da vida originaria-mente natural, da primeira forma originariamente natural das cul-turas, superiores ou inferiores, desenvolvendo-se sem impedimen-tos ou estagnantes. Todas as outras
atitudes estão, assim, retros-pectivamente referidas a esta
atitude natural
enquanto conversões.Falando mais concretamente, numa das
atitudes naturais histori-camente factuais da
humanidade devem surgir, a partir da situaçãointerna e externa que, num determinado momento do tempo, se tor-nou concreta, motivos que, no seu interior, levem primeiro homensisolados e depois grupos humanos a uma conversão.Como se deve caracterizar, então, a
atitude por essência origi-nária, o modo histórico fundamental do existente humano? Res-pondemos: compreensivelmente, por razões generativas, os ho-mens vivem sempre em comunidades, na família, tribo, nação,2 Jogo de palavras entre Einstellung, aqui traduzido por ?
atitude?, e Ums-tellung, reorientação, transposição, conversão. Optámos por ?conversão de ati-tude?, ou simplesmente ?conversão?, para Umstellung e por ?converter? quandose trata, no mesmo contexto de sentido, do verbo umstellen e suas flexões [Notado Tradutor].www.lusosofia.netiiiiiiiiA
Crise da
Humanidade Europeia e a Filosofia 27estando estas, por sua vez, mais rica ou mais pobremente articu-ladas em socialidades particulares. A vida natural caracteriza-se,agora, como uma vida que, ingénua e directamente, se entrega aomundo, ao mundo que,
enquanto horizonte universal, está sempreaí consciente de um certo modo, mas não tematicamente. Temáticoé aquilo para que estamos dirigidos. A vida desperta é sempre umestar dirigido para isto ou para aquilo, dirigido para isto
enquantofim ou meio,
enquanto relevante ou irrelevante, para o interessanteou o indiferente, o privado ou o público, para o que é quotidiana-mente indispensável ou para algo irrompendo como novo. Tudoisto repousa no horizonte do mundo, mas são precisos motivos par-ticulares para que quem está agarrado a uma tal vida mundana seconverta e, por aí, chegue de algum modo a fazer dessa vida umtema e a ganhar por ela um interesse persistente.Todavia, aqui são necessárias explanações mais detalhadas. Oshomens individuais que se convertem têm,
enquanto homens, a suacomunidade universal de vida (a sua nação) e também os seus in-teresses naturais continuados, cada um os seus próprios interessesnão os podem perder simplesmente por qualquer conversão, por-que isso seria, para cada um deles, deixar de ser quem é, deixarde ser aquilo em que se tornou desde o nascimento. Quaisquerque sejam as circunstâncias, a conversão só pode, portanto, durarum lapso de tempo ela só pode ter uma validade continuada paratoda a restante vida sob a forma de uma decisão incondicionada davontade de reassumir, em Lapsos de tempo periódicos, mas inti-mamente unificados 328, sempre a mesma
atitude e de manterfirmemente como válidos e realizáveis estes interesses de novo tipoatravés desta continuidade ? lançando intencionalmente pontes so-bre as descontinuidades ? e de, finalmente, os realizar nas formasculturais correspondentes.Conhecemos situações semelhantes nas profissões que surgemjá nas vidas de cultura naturalmente originárias, com as suas tem-poralidades profissionais periódicas, que permeiam a restante vidawww.lusosofia.netiiiiiiii28 Edmund Husserle a sua temporalidade concreta (as horas de serviço do funcionário,etc.)Agora, dois casos são possíveis. Ou os interesses da nova ati-tude querem servir os interesses da vida natural ou, coisa que éessencialmente o mesmo, da práxis natural, caso em que a nova
atitude será, ela própria, uma
atitude prática. Isto pode ter, agora,um sentido semelhante ao da
atitude prática do político que, en-quanto funcionário da nação, está dirigido para o bem geral e, porconseguinte, quer servir, pela sua própria práxis, a práxis de todosos outros (e, mediatamente, também a sua própria). Isto pertence,certamente, ainda ao domínio da
atitude natural, a qual, por essên-cia, se diferencia nos diversos tipos de membros da comunidade eé, de facto, diferente para aqueles que regem a comunidade e paraos ?cidadãos? ? ambos tomados, naturalmente, no sentido mais latopossível. Em todo caso, a analogia torna compreensível que a uni-versalidade de uma
atitude prática ? no caso vertente, uma que sedirige para o mundo no seu todo ? não tem, de modo nenhum, dequerer dizer um estar interessado e ocupado com todas as individu-alidades e totalidades particulares no interior do mundo, coisa queseria certamente impensável.Perante a
atitude prática de grau superior, há, porém, ainda umaoutra possibilidade essencial de alteração da
atitude natural geral(que logo aprenderemos a conhecer no caso tipo da
atitude mítico-religiosa), a saber, a
atitude teorética ? assim a denominamos deantemão porque nela surge, por um desenvolvimento necessário, ateoria filosófica, que se torna num fim autónomo ou num campode interesse. A
atitude teorética, se bem que seja, de novo, umaat...