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...mortalidade ocorridas em diferentes sociedades e dos seus determinantes é a possibilidade de se estabelecerem parâmetros para a construção das tendências esperadas em sociedades concretas. Por fim, com base nas análises e elaborações teóricas procedidas, é possível a definição de políticas e o planejamento de ações mais adequadas aos problemas de saúde da população. As discussões nesse campo têm criado um espaço privilegiado para a análise dos determinantes de saúde na perspectiva social/ambiental, em contraposição à perspectiva biológica. Esse dilema é crucial, pois faz parte de um debate mais amplo que envolve aspectos científicos e ideológicos sobre os destinos da sociedade humana, o qual se traduz, em sociedades concretas, na elaboração de políticas sociais e, em particular, em políticas de saúde. Esse debate assume, na atualidade, uma maior importância ante o avanço da consciência da sociedade com relação aos seus direitos humanos elementares, tendo-se colocado a questão saúde como parte da agenda dos grandes problemas sociais a requererem solução. O conceito de transição epidemiológica e suas limitações As modificações nos padrões de morbimortalidade têm sido objeto de estudo, de forma mais consistente, a partir da década de 60, em um contexto de busca de explicações para as grandes modificações na estrutura demográfica que vinham ocorrendo nas diferentes populações do mundo. Esse processo, que foi denominado de transição demográfica, vem acontecendo nas mais diferentes sociedades e tem início com a contínua diminuição nas taxas de mortalidade, seguida da redução das taxas de fertilidade. Frederiksen (1969) considerou importante a caracterização dos padrões de morbidade e mortalidade das sociedades para o entendimento da transição demográfica. Atribuía, para cada sociedade, padrões dominantes de morbidade e mortalidade, verificando que modificações no nível de desenvolvimento de cada sociedade correspondiam a modificações no padrão de morbimortalidade. A evolução de uma sociedade tradicional para uma sociedade moderna seria acompanhada de uma redução na morbidade e mortalidade por doenças infecciosas, passando a haver um predomínio das doenças crônico-degenerativas (atualmente chamadas de doenças crônicas não-transmissíveis). No seu entender, no contexto contemporâneo, os determinantes dessas modificações nas sociedades menos desenvolvidas estariam relacionados à incorporação de novas tecnologias. Posteriormente, Omran (1971) denomina de transição epidemiológica o processo de modificação nos padrões de morbimortalidade, que se daria em estágios sucessivos, seguindo a trajetória de um padrão tradicional para um padrão moderno. O autor identifica três tipos básicos de processos de mudanças dos padrões epidemiológicos: a) o modelo clássico, ou ocidental, caracterizado por uma progressiva redução da mortalidade e fertilidade, acompanhada de um predomínio das doenças degenerativas e das doenças causadas pelo homem. Este foi o modelo seguido pelos Estados Unidos da América e pelos países da Europa Ocidental b) o modelo 77 acelerado, caracterizado por rápida e acentuada queda da mortalidade e fertilidade, e pela rápida inversão nas causas de óbito. O caso típico deste modelo é o Japão, na segunda metade do século XX c) o modelo tardio ou contemporâneo, característico dos países subdesenvolvidos, em que a queda da mortalidade, mais lenta e recente que a observada nos países desenvolvidos, não é seguida de redução na fertilidade na mesma proporção. Em todos esses modelos haveria em comum a existência de três estágios fundamentais: a idade das pestilências e da fome, a idade do declínio das pandemias e a idade das doenças degenerativas aliadas às doenças criadas pelo homem, os quais se sucederiam em qualquer sociedade, variando apenas quanto à velocidade das mudanças. Posteriormente foi acrescentado um quarto estágio a este processo: a idade do declínio das doenças degenerativas (Olshansky & Ault, 1986). Fries (1980 1983), preocupado com a questão da qualidade de vida nos países desenvolvidos, preconiza a idéia da compressão da morbidade, que no seu entender seria conseguida com o retardamento do início da doença crônica, a qual em algum momento atinge a quase totalidade dos indivíduos. Com essa compressão, o tempo de vida saudável se ampliaria e a necessidade de utilização de serviços de saúde se reduziria. O autor tenta demonstrar ainda que o modelo médico tradicional tende a aumentar a morbidade, uma vez que provoca a extensão da vida sem interferir na sua qualidade. Como conseqüência, defende a necessidade de privilegiar ações voltadas para a prevenção do início do processo crônico. Analisando especificamente os países da América Latina, Frenk et al. (1991) observam que as modificações nos padrões de morbimortalidade ocorrem de forma diferenciada em relação aos países desenvolvidos. A principal característica identificada, ao lado de uma relativa redução das doenças infecciosas, é a sua coexistência com as...
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Comentários (2)

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Ruan Gabriel Reinaldo (Sep 18, 2008 5:12:50 PM)
material mto bom!!!
Plínio Schneider (May 9, 2008 12:11:30 PM)
Excelente arquivo contendo métodos, mortalidade geral, classificação e relação entre variáveis, ensaios, medidas, estudos, e muito mais! Vale a pena fazer o download!

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Apostila de epidemiologia
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