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esgotos do dia e hora de maior produção é 1,8 vezes, ou praticamente o dobro da vazão média diária. Deve ser lembrado que as características dos
esgotos são afetadas também pela infiltração de água subterrânea na rede coletora e pela possível presença de contribuições específicas, como indústrias com efluentes líquidos ligados à rede pública de coleta de
esgotos. Os
esgotos sanitários possuem excesso de nitrogênio e fósforo. Isto faz com que, ao ser submetido a
tratamento biológico, haverá incorporação desses macronutrientes nas células que tomam parte do sistema, mas o excesso deverá ser ainda grande. Esta é uma importante preocupação em termos de
tratamento de
esgotos, exigindo
tratamento 2 avançado quando se tem lançamento em situações mais restritivas, sobretudo em represas utilizadas para o abastecimento público de água potável, onde o problema da eutrofização poderá ter consequências drásticas. Na Tabela 2 são apresentados concentrações típicas das diversas frações de sólidos em
esgotos: Tabela 2: Concentrações de sólidos em
esgotos. Fonte: Metcalf & Eddy (1991) característica Forte Médio Fraco Sólidos Totais (mg/L) 1.200 720 350 Sólidos Dissolvidos (mg/L) 850 500 250 Sólidos Dissolvidos Fixos (mg/L) 850 500 250 Sólidos Dissolvidos Voláteis (mg/L) 525 300 145 Sólidos em Suspensão Totais (mg/L) 350 220 100 Sólidos em Suspensão Fixos (mg/L) 75 55 20 Sólidos em Suspensão Voláteis (mg/L) 275 165 80 Sólidos Sedimentáveis (mL/L) 20 10 05 Na Tabela 3 são apresentadas algumas características biológicas dos
esgotos, importantes para referenciar as necessidades de desinfecção. Embora a legislação seja restrita aos índices de coliformes, aplicações dos
esgotos como, por exemplo, na agricultura, podem exigir o controle de outros indicadores. Tabela 3: Concentrações de organismos em
esgotos. Fonte: Metcalf & Eddy (1991) Característica Valor Médio Bactérias Totais (/100 mL) 10 9 10 10 Coliformes Totais (NMP/100 mL) 10 7 10 8 Coliformes Fecais (NMP/100 mL) 10 6 10 7 Estreptococus Fecais (NMP/100 mL) 10 5 10 6 Salmonella Typhosa (/100 mL) 10 1 10 4 Cistos de Protozoários (/100 mL) 102 10 5 Vírus (/100 mL) 10 3 10 4 Ovos de Helmintos (/100 mL) 10 1 10 3 1.2. Aspectos Legais Tanto a legislação do Estado de São Paulo, o Decreto 8468 que regulamenta a lei 997 de 1976 como a legislação federal, a resolução 20 do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente), passam por processo de revisão. Apresentam-se, em seguida, alguns padrões de emissão de
esgotos em águas naturais de ambas as legislações: Padrões de emissão de
esgotos Decreto 8468 pH: entre 5 e 9 Temperatura: inferior a 40 o C Sólidos Sedimentáveis: inferior a 1,0 mL/L DBO 5,20 : inferior a 60 mg/L ou 80% de redução Padrões de emissão de
esgotos Resoluçã0 20 do CONAMA 3 pH: entre 5 e 9 Temperatura: inferior a 40 o C Sólidos Sedimentáveis: inferior a 1,0 mL/L Amônia: inferior a 5,0 mg/L Pode ser observado que o padrão de emissão de 5,0 mg/L para amônia não pode ser atendido mediante a grande maioria dos processos de
tratamento biológicos, exceto os aeróbios com
aeração prolongada (idade do
lodo elevada). Apresentam-se a seguir, a título de ilustração, alguns padrões de qualidade estabelecidos nas legislações para uma água natural classe 2, que pode ser utilizada para abastecimento público, após
tratamento: Padrões de qualidade Decreto 8468 Oxigênio Dissolvido: não inferior a 5,0 mg/L DBO 5,20 : inferior a 5,0 mg/L Coliformes Totais: não superior a 5.000 / 100 mL Coliformes Fecais: não superior a 1.000 / 100 mL Padrões de qualidade Resolução 20 do CONAMA pH: entre 6 e 9 Oxigênio Dissolvido: não inferior a 5,0 mg/L DBO 5,20 : inferior a 5,0 mg/L Coliformes Totais: não superior a 5.000 / 100 mL Coliformes Fecais: não superior a 1.000 / 100 mL Amônia não ionizável: inferior a 0,02 mg/L Fosfato Total: inferior a 0,025 mgP/L Uma dificuldade frequente no atendimento à legislação federal, refere-se ao padrão para fósforo, bastante restritivo independentemente da velocidade da água do corpo receptor. Sabe-se que o problema de crescimento excessivo de algas decorrentes da eutrofização só ocorre de forma expressiva em águas de baixas velocidades como em represas. Pode ser observado também que dificilmente se terá uma condição de diluição dos
esgotos tratados no corpo receptor que dispense a desinfecção final dos
esgotos antes do lançamento. 1.3. Concepção das Estações de
Tratamento de
Esgotos O
tratamento de
esgotos é desenvolvido, essencialmente, por processos biológicos, associdos à operações físicas de concentração e separação de sólidos. Processos físico- químicos, como os a base de coagulação e floculação, normalmente não são empregados por resultarem em maiores custos operacionais e menor eficiência na remoção de matéria orgânica biodegradável. Porém, em algumas situações, notadamente quando se tem condições bastante restritivas para as descargas de fósforo, o
tratamento físico-químico pode ser aplicado isoladamente ou, principalmente, associado aos processos biológicos. O...