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científicoO primeiro caráter do
conhecimento científico, reconhecido até por cientistas e filósofos das mais diversas correntes, é a objetividade, no sentido de que a ciência intenta afastar do seu domínio todo o elemento afetivo e subjetivo, deseja ser plenamente independente dos gostos e das tendências pessoais do sujeito que a elabora. Numa palavra, o
conhecimento verdadeiramente
científico deve ser um
conhecimento válido para todos. A objetividade da ciência, por isso,
pode ser também, e talvez melhor, chamada intersubjetividade, até porque a evolução recente da ciência, e especialmente da Física, mostrou a impossibilidade de separar adequadamente o
objeto do sujeito e de eliminar completamente o observador.Outro caráter universalmente conhecido é a positividade, no sentido de uma plena aderência aos fatos e de uma absoluta submissão à fiscalização da experiência. O conceito de positividade como recurso à experiência e adesão aos fatos era ainda mais vago, e, nesse tempo, demasiado restrito, não só em Filosofia, como na própria ciência. Só recentemente, por obra de Einstein, a positividade da ciência se precisou na operatividade dos conceitos
científicos, segundo a qual um conceito não tem direito de cidadania em ciência se não for definido mediante uma série de operações físicas, experiências e medidas ao menos idealmente possíveis. Tal precisão permite, por um lado, reconhecer claramente a não positividade de conceitos como o de espaço e de tempo absolutos e, por outro lado, admitir como positivos elementos não efetivamente experimentáveis. O terceiro caráter do
conhecimento científico reside na sua racionalidade. Não obstante a oposição de toda a corrente empirista, a ciência moderna é essencialmente racional, isto é, não consta de meros elementos empíricos, mas é essencialmente uma construção do intelecto. A ciência
pode ser definida como um esforço de racionalização do real partindo de dados empíricos, através de sínteses cada vez mais vastas, o cientista esforça-se por abraçar todo o domínio dos fatos que conhece num sistema racional, no qual de poucos princípios simples e universais possam logicamente deduzir-se as leis experimentais mais particulares de campos à primeira vista aparentemente heterogêneos.Além disto, os cientistas modernos verificam unanimemente no
conhecimento científico um caráter muito alheio à mentalidade científica, o da revisibilidade. Não há nem nas ciências experimentais, nem mesmo na matemática, posições definitivas e irreformáveis. Toda a verdade científica aparece, em certo sentido, como provisória, susceptível de revisão, de aperfeiçoamento, às vezes mesmo de uma completa reposição em causa. Todos os
conhecimentos
científicos são aproximados, quer pela imperfeição das observações experimentais em que se fundam, quer pela necessária abstração e esquematização com que são tratados. Os conceitos de adequação total e perfeita devem ser substituídos pelos de aproximação e validez limitada. Esta nova mentalidade científica que deve ser mantida num só equilíbrio é principalmente o fruto de numerosas crises e revoluções da ciência.Finalmente, um último caráter do
conhecimento científico é a autonomia relativamente à Filosofia e à fé. A ciência tem o seu próprio campo de estudo, o seu método próprio de pesquisa, uma fonte independente de informações que é a Natureza. Isto não significa que a Filosofia não possa e não deva levar a termo uma indagação crítica sobre a natureza da ciência, sobre os seus métodos e os seus princípios e que o cientista não possa tirar vantagem do
conhecimento reflexivo, filosófico e crítico da sua mesma atividade de cientista. Mas em nenhum caso a ciência
poderá dizer-se dependente de um sistema filosófico ou
poderá encontrar numa tese filosófica uma barreira-limite que impeça a priori a aplicação livre e integral do seu método de pesquisa. E o mesmo se dirá no que respeita à fé: ela
poderá constituir uma norma diretriz e prudencial para o cientista, enquanto homem e crente, nunca será uma norma positiva ou restritiva para a ciência enquanto tal.2.2 Natureza do
conhecimento cientificoO que é conhecer? É uma relação que se estabelece entre o sujeito que conhece e o
objeto conhecido. No processo do
conhecimento o sujeito cognoscente se apropria, de certo modo, do
objeto conhecido. Quando a apropriação é física, por exemplo, a representação de uma onda luminosa, um som, o que acarreta numa modificação de um órgão corporal do sujeito, tem-se um
conhecimento sensível. Tal tipo de
conhecimento é encontrado tanto em animais como no homem. Se a representação não é sensível, isto ocorre com realidades tais como conceitos, verdades, leis e princípios, tem-se então um
conhecimento intelectual. O
conhecimento sempre implica numa dualidade de realidades: de um lado, o sujeito e, de outro, o
objeto conhecido. O
objeto conhecido
pode as vezes fazer parte do sujeito que conhece.
Pode-se conhecer a si mesmo,
pode-se conhecer e pensar os seus pensamentos. Mas nem todo...