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lesões secundárias, tanto por alterações isquêmicas como hiperêmicas sobre oUnidade de Neurocirurgia do Hospital de Base do Distrito Federal, Brasília, DF: *Residente emNeurocirurgia **Médico Ortopedista ***Staff Neurocirurgião ****Chefe da Unidade de Neurocirurgia doHBDF. Aceite: 14-junho-1999.Dr. Leandro Pretto Flores SHCGN 716 Bloco J Apartamento 119 Asa Norte 70770-740 Brasília DF Brasil.E-mail: ifneiva@nutecnet.com.br837Arq Neuropsiquiatr 199957(3-B)tecido lesado2,3. Estes mecanismos provocam
lesões muitas vezes definitivas sobre os elementosnervosos, justificando o mau prognóstico observado nestes doentes.Ainda hoje existe controvérsia quanto ao papel da cirurgia como tratamento para esse tipo de
lesão, principalmente porque estudos recentes demonstram que o prognóstico desses doentes não édiferente quando tratados conservadoramente4-8. Ainda assim, a cirurgia continua tendo seu lugar naterapêutica, principalmente nos
pacientes que apresentam déficits em progressão ou quando os examesde imagem mostram que existe compressão sobre as estruturas neurovasculares2,9. A principalabordagem nestes
casos é a laminectomia, tendo como objetivo a descompressão do canal medular7,8em alguns outros
casos a fixação de uma coluna instável10 ou a descompressão radicular para alívioda dor11 também são procedimentos utilizados.A indicação cirúrgica, portanto, deve ser sempre individualizada. A determinação de fatoresobservados no pré-operatório que possam influenciar no prognóstico desses
pacientes é útil aoneurocirurgião para auxiliar na decisão cirúrgica. O objetivo deste estudo é avaliar os fatores no pré etrans-operatório que possam influenciar o curso dos
pacientes submetidos a laminectomia devido aagressão por arma de fogo sobre a coluna, além de discutir o controle cirúrgico da dor nestes
pacientes.M TODOFoi realizado estudo retrospectivo, através da análise dos prontuários dos
pacientes submetidos alaminectomia como tratamento para TRM por PAF, na Unidade de Neurocirurgia do Hospital de Base do DistritoFederal (HBDF), durante o período de 1990-1998, totalizando 45
pacientes. Foram colhidos dados quanto aosexo, idade, nível da
lesão, apresentação clínica, classificação na escala de Frankel12 pré e pós-operatória, presençade laceração dural, síntese ou não da dura-mater, momento cirúrgico, complicações pós-operatórias e uso ou nãode antibióticos e/ou glicocorticóides. Os
pacientes foram divididos quanto à apresentação clínica, em
lesõescompletas (Frankel A),
lesões incompletas (Frankel B,C, ou D em
lesões medulares) e
lesões de cauda equina(Fig 1). Como critério de
melhora da função neurológica, foi considerada qualquer
melhora, de acordo com aescala de Frankel, no seguimento pós-operatório. O alívio da dor foi considerado de acordo com a sensação de
melhora subjetiva relatada pelo paciente.Fig 1. Paciente de 24 anos, vítima de agressão por arma de fogo em região lombar. Deu entrada no Pronto-Socorro com paraparesia assimétrica, Frankel C. Raio X de coluna lombar em incidência antero-posterior(esquerda) e perfil (direita) mostrando projetil no interior do canal a nível L4. Após a cirurgia, evoluiu comrecuperação complera do déficit, Frankel E.838 Arq Neuropsiquiatr 199957(3-B)O tempo de seguimento variou de quatro a 36 meses, com uma média de 19 meses. A análise estatísticafoi realizada utilizando-se o teste do chi-quadrado, tendo como significantes valores com p 0,05.RESULTADOSDos 45
pacientes estudados, 38 eram do sexo masculino e sete do sexo feminino. A maioriados
pacientes encontrava-se com idade entre a segunda e terceira décadas (86%) e o principal nívelda
lesão foi a região lombar (oito
pacientes com
lesão cervical, onze
lesões torácicas e 26 lombares).Em apenas cinco doentes o projetil penetrou inicialmente a cavidade torácica ou abdominal antes deatingir a coluna. Secção completa da medula ocorreu em 15
pacientes (33%), secção incompleta em12 (27%), em 15 doentes encontramos síndrome da cauda equina (33%) e três
pacientes nãoapresentavam déficits à admissão. Dor pré-operatória foi referida por 14
pacientes (31%), sendo queem 9 (20%) esta era caracterizada como de padrão radicular, em 4 (9%) a dor era local ( por
lesãoóssea ou de partes moles) e um paciente queixava-se de disestesias importantes nos membrosinferiores, possivelmente devido a
lesão do trato espinho-talâmico lateral. Em três
casos (6%)observava-se fístula liquórica antes do procedimento cirúrgico. Todos os
pacientes fizeram uso deantibióticos por período mínimo de dez dias (oxacilina, cloranfenicol, ampicilina ou cefazolina, emdiferentes combinações), e em 32
pacientes (71%) foi utilizado glicocorticóide no período pré-operatório (metilprednisolona, 30 mg/kg em dose de ataque e manutenção por 23 hs com dose de 5,4mg/kg/h, nos
casos admitidos com menos de 8 horas após a agressão). Quanto ao momento cirúrgico,os
pacientes foram divididos entre aqueles operados com menos de seis horas (nove
casos), entre 6-12 horas (oito
casos), 12-24 horas (oito...