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projeto mais chamou sua atenção? Aquele que você se identifi-cou? Hans: Olha, eu achei muito interessante o
projeto das pelotas, porque virou um produto. Está sendo vendido até hoje para muitos lugares no mundo, e que
pode ser considerado um sucesso, pois para uma máquina dessa função, com um mercado tão restrito, houve muitas vendas. Onde há produção de pelotas de minério no mundo há uma máquina dessa. Um
projeto que foi além dos limites da Universidade, virou produto e foi bem sucedido. 3 ? Em quais
projetos você está trabalhando atualmente?
Poderia nos dar mais informações a respeito? Hans: Atualmente estou trabalhando em um
projeto de classificação de
mamão. O
mamão do Espírito Santo é exportado e existem controles de qualidade pois os carregamentos são vendidos por tamanho e o sistema de classificação é por peso e as vendas são feitas colocando o número certo de mamões que cabem em uma caixa de tamanhos padronizados. Hoje esse processo é humano: ao longo de uma esteira, várias pessoas vão selecionando. Na caixa não
pode haver mamões pequenos, pois quem compra quer receber o que pagou e nem quem vende quer perder o carregamento. Logo, por ser tão inexata essa classificação, perde-se muito dinheiro. Hoje a classificação é feita por peso, existem máquinas mecânicas, um grande disco sobre molas que se retraem quando há
mamão sobre elas e de acordo com quanto abaixa o disco ele vira o re-cipiente com o
mamão. O problema é que peso e volume (pois o tama-nho do
mamão não é constante)
pode haver erros e há o risco da carga ser devolvida. Também há o problema de nível de maturação, por exem-plo, não
pode haver mais de uma porcentagem de amarelo no
mamão, e 15 isso tem condição de ser visto através de câmeras e é o que estamos fazendo agora. Uma solução para isso foi descrita por um
aluno, pois para avaliar a coloração do
mamão tem que se olhar todos os lados de-le, e como avaliar isso se eles estão sobre uma esteira? Várias alternati-vas foram cogitadas, como esteiras de velocidade variável, entre outras, até que esse
aluno teve uma idéia brilhante: nessa mesma esteira fazer um sulco onde o
mamão ao rolar por esse sulco disposto diagonalmente vai ter que rolar naturalmente, o que resulta na visão de todos os lados do
mamão em um único ponto da esteira, com velocidade constante e a garantia de que eles irão sair em um lugar só. O objetivo desse
projeto é melhorar a qualidade, aumentando o lucro de quem exporta pois errando menos, diminui a possibilidade de ter clientes insatisfeitos e cargas de-volvidas, e claro, automatizando o processo de classificação. 4 ? E quanto a financiamentos, o senhor provavelmente tem uma equipe, mas quem custeia esses
projetos? Hans: O primeiro contato para o
projeto de classificação do
mamão foi de uma firma, só que firma, no Brasil, não investe em tecnologia, um pouco da verdade é que, por mais que o governo diga que no resto do mundo quem investe em pesquisa são as firmas, isso não acontece. As firmas estão aí para ganhar di-nheiro e somente as firmas muito grandes vão investir muito em tecnologia. Uma empresa de exportação de
mamão não vai tirar 30, 40 mil reais do bolso dela e dar para um instituto e correr os riscos. Tem que separar bem, pesquisa, desenvolvimento, pois algumas vezes, não dá em nada! Um caso típico é a Microsoft. Das firmas que foram fundadas na época da Microsoft, praticamente todas faliram, inclusive algumas tinham produtos melhores. Isso depende mui-to, de produto, de mercado, de visão, um conjunto de fatores e ninguém tem dinheiro para colocar em algum
projeto e não saber o que vai acontecer. Esse
projeto de classificação dos mamões
pode ser economicamente inviável, por exemplo, a velocidade de classificação
pode ser lenta demais, para nós, acha-mos que ele dará certo mas ninguém
pode ter certeza. Outro exemplo é o robô submarino. Já existem protótipos e tudo mais, mas
pode ser que não funcione, 16 ou que funcione mal. Há muitas dúvidas entre pesquisa e desenvolvimento. O desenvolvimento é utilizar técnicas conhecidas, e pesquisa é quando se procu-ra técnicas novas, onde os riscos são maiores! As nossas principais fontes são CNPQ, FINEP, Prefeitura de Vitória, Fundação do Governo, do estado, embora tenha pouco dinheiro também ajuda. 5 ? E o Governo Federal? Também ajuda? Hans: Ajudam através de verbas separadas, e é melhor que seja assim. A dis-tribuição de recursos dentro da universidade é muito complicada. Um exemplo foi esse concurso para professor na UFES, o Centro Tecnológico não recebeu nenhuma indicação. A universidade recebe pouco dinheiro e quando chega tem de dividir. Isso
pode ser atestado na carência dos laboratórios e sala de aula, então imagine se esse dinheiro específico para pesquisa viesse para a univer-sidade para então ser dividido e repassado. 6- Você e sua equipe têm de desenvolver os
projetos. Aonde vocês traba-lham? Hans: Basicamente na própria UFES utilizando o espaço físico e laboratórios, somente alguns serviços específicos que não...